O protagonista da série é o Papa Alexandre VI, que antes de sua entronização se chamava Rodrigo Bórgia, membro da famosa família espanhola de clérigos católicos. Rodrigo foi o segundo membro de sua família a ocupar o trono papal, mas, talvez, o mais famoso. O primeiro papa da família Borgia foi Calisto III, tio de sangue de Rodrigo, que, em grande parte, foi o fator determinante na carreira de seu sobrinho. Alexandre VI foi uma figura muito controversa na história. Por um lado, ele fortaleceu o trono papal e ampliou o território sob o domínio do Vaticano, o que, no contexto da fragmentação medieval, contribuiu para a concentração e centralização do poder — algo benéfico para qualquer Estado diante de incessantes agressões externas. Por outro lado, com sua falta de princípios e o fato de não se coibir de nenhum método para combater seus adversários, incluindo assassinatos diretos, ele contribuiu para a queda da popularidade do poder papal, tanto entre o povo comum quanto entre as antigas famílias aristocráticas da Itália. Não é à toa que a Igreja Católica considera o período do reinado desse papa o mais sombrio de sua história. O Papa Alexandre VI ganhou fama de envenenador maníaco e, além disso, de terrível devasso. Apesar do celibato católico (voto de abstinência sexual para os padres católicos), esse líder católico não se coibia de ter uma vida sexual ativa e mantinha um grande número de mulheres, das quais teve muitos filhos. Dizem que chegou a viver em união estável até mesmo com a própria filha, que também lhe deu um filho. Ele fez de tudo para garantir aos seus descendentes terras, cargos, títulos e outros benefícios, e tudo isso às custas da antiga nobreza italiana, o que também não contribuiu para aumentar o número de apoiadores dessa família. Até deixaram uma marca bastante significativa na história seus filhos com a cortesã espanhola Vanotta dei Cattanei: os filhos Giovanni, a quem ele nomeou duque de Gandia e Sessa, e o muito bem-sucedido comandante militar César, que também não foi privado da generosidade de seu pai, o qual contribuiu para que ele se tornasse duque da România e da Valentuína. Além disso, havia sua filha mais querida, Lucrécia, duquesa de Pesaro e princesa de Salerno, mulher que entrou para a história por sua libertinagem, inteligência e paixão hereditária por envenenamentos. A ação da série começa em 1492, quando o então papa Inocêncio VIII adoeceu. A morte de qualquer papa acarreta uma série de intrigas no âmbito do processo de eleição do novo pontífice, chamado de conclave. Dos vinte e três cardeais que deveriam eleger o novo papa, apenas sete apoiavam o cardeal Borgia. Mas Rodrigo Borgia não era do tipo que abriria mão das oportunidades que o papado oferecia — e assim entrou em ação a chamada simonia: o suborno dos cardeais. Rodrigo prometia a todos os cardeais bispados lucrativos, cargos e benefícios. Por exemplo, ao seu principal concorrente, Ascânio Sforza, Rodrigo prometeu tantos benefícios e um bispado muito lucrativo nas cidades de Erlau e Nepi, que este imediatamente retirou sua candidatura e passou a fazer campanha muito ativamente para que os demais votassem a favor de Borgia. Dessa forma, Borgia conseguiu reunir quatorze votos em apoio à sua candidatura, o que lhe permitiu tornar-se Papa Romano, e a nós a oportunidade de acompanhar a história de seu reinado na interpretação do criador da série, Neil Jordan, exibida pelo canal Showtime (EUA) de abril de 2011 a junho de 2013. Vale ressaltar que a interpretação dos eventos históricos nesta série é um tanto caráter livre e nem sempre corresponde aos fatos conhecidos pelas fontes históricas; no entanto, é impossível não destacar a magnífica atuação dos atores, especialmente do protagonista Jeremy Irons, bem como o cenário e os trajes da Itália do século XV — a famosa época do Quattrocento -, recriados com excelência. Além disso, o enredo, embora temperado pela imaginação fértil dos roteiristas, mantém o espectador em constante tensão com suas reviravoltas inesperadas, o que é essencial para um bom projeto televisivo.