A série de jogos de computador “Doom” é um nome que está na boca de todos entre os fãs de entretenimento virtual, para a qual o adjetivo “lendária” é até modesto demais. Os gamers esperavam pela adaptação cinematográfica do precursor de todos os jogos de tiro desde o início dos anos 90 — e diversos estúdios de cinema alimentavam alegremente o público com promessas. O “milagre”, porém, só aconteceu no outono de 2005. Por que entre aspas? Pois porque o filme “Doom” pouco de bom ofereceu aos espectadores — tanto aos fãs da franquia de jogos quanto aos amantes de filmes de ação e ficção em geral. Resumo livre com minhas próprias palavras: No ano de 2145, em uma remota base de pesquisa científica em Marte, ocorre algo que obriga a equipe a enviar um sinal de “SOS” para a Terra. Uma equipe de missão especial é enviada em socorro, com a missão de descobrir o que aconteceu na malfadada estação e resolver o problema a qualquer custo. À primeira vista, o enredo parece quase uma cópia exata do jogo “Doom 3”, mas, à medida que a história se desenrola, fica claro o quanto os roteiristas e o diretor se permitiram tomar liberdades. Tudo sofreu alterações — desde as armas dos paraquedistas até a lenda sobre a origem dos monstros sanguinários. Talvez apenas os cenários do filme evoquem associações inequívocas com os corredores estreitos e escuros — quase claustrofóbicos — da obra original, e, ao mesmo tempo, com filmes de ação como: “Aliens” (1986); “Resident Evil” (2002); “Parágrafo 78: Filme Um” (2007); “Pandorum” (2009). Um espetáculo para quem não é exigente. Não fica claro onde os criadores gastaram todos os 60 milhões do orçamento. Na maior parte do tempo, o espectador é condenado a assistir não a uma ação de tirar o fôlego, mas ao lento deslocamento de soldados das forças especiais por corredores de alta tecnologia, virando-se a cada menor ruído. Os monstros no filme não aparecem logo de cara, e ainda por cima em número bem reduzido — os veteranos de jogos de computador, acostumados com o nível de dificuldade “Nightmare”, choram lágrimas de sangue. Talvez apenas a cena espetacular em primeira pessoa agrade aos olhos, mas ela não é muito longa e está tão afastada na linha do tempo que não consegue salvar totalmente a situação. Na verdade, não há outros tiroteios em grande escala no filme — portanto, “Duma” está longe de ser um filme de ação completo, mas também não chega a ser um filme de terror ou, pelo menos, um thriller. A trilha sonora também não se destaca pela qualidade. Não há nada de particularmente notável para se ouvir, e os tiros soam tão pouco realistas que chega a ser assustador. Alguns efeitos sonoros foram transferidos diretamente do jogo para a adaptação cinematográfica, mas o que deu certo no entretenimento virtual nem sempre é adequado para um potencial sucesso de bilheteria. O mesmo vale para a trilha sonora — ela está presente e toca, mas nem sempre é adequada ao que acontece na tela, ora não apoiando no momento certo um enredo que já não é dos mais fortes, ora abafando uma ação que, de qualquer forma, já é fraca. Desistam de toda esperança, todos os que aqui entrarem. O filme “Doom” fracassou retumbantemente nas bilheterias mundiais, não conquistou popularidade nem mesmo entre os fãs mais fervorosos da série de videogames pelas razões descritas acima e, merecidamente, foi indicado ao “Framboesa de Ouro” em 2006. E nem mesmo o carismático Dwayne Johnson, que interpretou um dos papéis coadjuvantes, consegue salvar a situação. Portanto, se você, por qualquer motivo, perdeu esse “sucesso” na época, só vale a pena gastar seu tempo com ele em caso de extrema necessidade. É melhor rever mais uma vez “Resident Evil” e “Alien vs. Predator”. E isso que, com todo esse potencial, o filme tinha tudo para se tornar a melhor adaptação de um videogame.