No filme clássico, há apenas três personagens principais, mas como suas relações são complicadas… O marido da famosa atriz de teatro, a estrela dos palcos Charlotte Inwood — interpretada pela brilhante Marlene Dietrich —, foi assassinado. O assassinato ocorreu bem na casa dela. Jonathan Cooper, interpretado por Richard Todd, que está apaixonado por ela, é suspeito do assassinato. Jonathan está perplexo e decide pedir ajuda à sua amiga de longa data, Eva Gill, cujo papel ficou a cargo de outra atriz notável, Jane Wyman. Eva ama Jonathan e fará tudo o que estiver ao seu alcance para ajudá-lo; para isso, ela tentará desmascarar a hipócrita Charlotte… Muitas cenas se passam dentro do teatro, onde todos os acontecimentos assumem, por assim dizer, uma outra dimensão, onde a realidade não é tão óbvia, onde cada um tem seu papel, mas ele é simplesmente decorado; portanto, não há sinceridade e não se pode confiar em ninguém… Para colocar seu plano em prática, Eva é contratada como empregada pela viúva “devastada pela dor”. No entanto, a vida não é uma peça, e Eva ainda não é uma atriz totalmente profissional, mas apenas uma estudante; agora, resta-lhe a única saída possível: ela precisa se controlar, superar o medo do “palco” e começar a improvisar. Mesmo sem seu suspense característico, a atmosfera criada pelo Mestre é de tirar o fôlego. E o espectador não tem para onde fugir desses ataques de medo — não tão óbvios quanto em outros filmes, mas, por isso mesmo, ainda mais angustiantes —, um medo totalmente irracional. E a tensão psicológica começa a se transformar em tensão física, exatamente como as costas da incrível e deslumbrante Marlene. Sem ela — a estrela serena e cínica, ousada e preguiçosa, que envelhece com elegância —, é impossível imaginar este filme. E Hitchcock submete-se docilmente a ela em toda a trama. E em seus dedos, incríveis em sua perfeição, ela segura o Medo do Mestre. Desejada. Fria. Fatal.