Toda a ação se desenrola ao longo de 12 horas. Os acontecimentos começam com o ritual canônico chamado “Oração pelo cálice” e culminam com a ressurreição de Jesus, à qual é dedicada uma breve descrição. O filme também reserva espaço para algumas lembranças do próprio Jesus sobre sua infância e juventude ao lado de sua Mãe, bem como sobre os acontecimentos em torno de seu Sermão da Montanha e, é claro, da Última Ceia. Gibson utilizou em seu filme um recurso de direção muito interessante, que mergulha ao máximo o espectador na realidade da época em que esses eventos ocorrem. Todos os personagens falam nas línguas que seus protótipos reais falavam — em aramaico, que, aliás, foi reconstruído há relativamente pouco tempo por linguistas, e em latim. E, para que o espectador compreenda, foram utilizados tradução em off e legendas. Há também certas referências no filme ao Antigo Testamento. Em primeiro lugar, a profecia sobre Cristo, contida no livro de Isaías — profeta do Antigo Testamento —, serve de epígrafe para todo o filme. Também vale a pena prestar atenção à cena em que Jesus, no Jardim do Getsêmani, esmaga a cabeça da serpente — trata-se de uma alusão direta ao capítulo 3 do Livro do Gênesis. Além disso, Jesus frequentemente cita versículos dos Salmos, inclusive aqueles que não são mencionados nos Evangelhos.