A protagonista do thriller dramático “Dogville” parece ter sorte. Ao fugir da perseguição de gangsters, a aristocrata Grace conhece o escritor Tom, que ainda não escreveu nenhum livro, mas prevê para si mesmo um grande futuro. O rapaz compreende a difícil situação da fugitiva e sugere que ela fique na cidadezinha, convencendo a máfia de que não há em Dogville a desconhecida que eles procuram. Tom reúne os moradores locais e os convence a dar a Grace duas semanas de período de experiência e uma chance de sobrevivência, caso ela agrade aos moradores da cidadezinha; depois, votarão para decidir se a moça ficará em Dogville ou será expulsa. Com relutância, mas as pessoas concordam, ainda mais porque Grace é muito simpática e se oferece para ajudar a todos. Cuidar das crianças, trocar a fralda de um deficiente, cavar a horta, ter conversas enfadonhas que se arrastam por horas com um velhinho cego e até mesmo ajudar na construção de uma casa. Para salvar a própria vida, essa intelectual que nunca havia trabalhado um único dia antes está disposta a tudo; só que os apetites dos moradores, que sentiram seu poder, crescem a cada dia. Essas pessoas, que parecem tão gentis quanto dentes-de-leão, revelam-se, por dentro, cactos sem alma, cujo nível de crueldade nem mesmo os gângsters que perseguem Grace ainda conseguiram atingir. Com o tempo, a fugitiva percebe que se transformou em um corpo escravizado, comandado 24 horas por dia por donos desenfreados, e que suportar isso se torna insuportável...