Aos 12 anos, Marcus Brewer tinha motivos para se preocupar, já que sua mãe estava, tecnicamente falando, enlouquecendo. Toda vez que voltava para casa, ele temia encontrar novamente o corpo dela em meio ao próprio vômito. O menino reconhecia sem falhar os sinais de uma catástrofe iminente. A mãe chorava cada vez mais, até mesmo pela manhã. Ela sempre foi diferente das outras pessoas, se vestia de maneira estranha e vivia com a cabeça nas nuvens. Marcus de repente percebeu que uma família de duas pessoas era muito pouca coisa. Se algo acontecesse com um deles, o outro ficaria completamente sozinho. Era preciso resolver esse problema com urgência. E, por acaso, já havia uma pessoa em vista. Um homem solitário e, no geral, nada mal. É verdade que ele mente de vez em quando, mas quem não mente? Ele tem uma casa excelente, lotada até as vigas do teto com todo tipo de aparelhos: DVDs, micro-ondas, cafeteiras, televisores e tocadores de música. Ele nunca pergunta nada e não fica dando sermões. Marcus simplesmente decidiu se tornar amigo dele e agora Will Freeman, de 38 anos, não tem para onde fugir.