Nicolas Cage é um ator muito talentoso, até mesmo um dos melhores de Hollywood, mas, infelizmente, nos últimos tempos ele tem atuado principalmente em projetos cinematográficos quase trash, como “O Piloto Fantasma 2” ou “O Coelho Faminto Ataca” — apenas o recente “Terra Congelada”,, de Scott Walker, conseguiu, pelo menos em parte, resgatar a reputação do ator. O filme “8 Milímetros”, sobre o qual falaremos, foi lançado em 1999 e remete àquele período da carreira de Cage em que seu nome nos créditos era uma espécie de selo de qualidade. Cenas censuradas O enredo do filme gira em torno de uma gravação sinistra em fita de vídeo; porém, ao contrário de “O Chamado”, o terror não é causado por alguma força sobrenatural desconhecida e incompreensível à mente humana, mas pelas atrocidades cometidas por um maníaco contra uma jovem. Essa fita cai nas mãos do detetive particular Tom Wells, a quem um cliente encomendou a tarefa de descobrir a identidade do assassino e desvendar um caso complexo. Mas logo o caçador de vilões se transforma ele próprio em vítima e passa a lutar pela própria vida. É difícil classificar “8 Milímetros” em um gênero específico — o filme apresenta elementos do policial clássico, do thriller e do drama criminal, todos em proporções aproximadamente iguais. Algo semelhante ocorreu no excelente filme de David Fincher, “Sete”, embora este último esteja, ainda assim, mais próximo do thriller psicológico. A beleza da direção Cada cena é cheia de estilo e criada não apenas com bom gosto, mas também no estilo característico de Schumacher. A ação se desenrola ora de forma incrivelmente rápida, com uma cena de ação sucedendo a outra, ora a agitação dá lugar a cenas propositalmente prolongadas que, no entanto, não incomodam nem deixam o espectador entediado; pelo contrário, intrigam e despertam o interesse. O final não pode ser considerado totalmente imprevisível, mas também não se pode dizer que seja completamente banal — em suma, o roteiro está em perfeita ordem. O orçamento de 80 milhões, bastante generoso para 1999, fica evidente desde as primeiras cenas, quando fica claro que o filme “8 Milímetros” não é uma produção barata. No entanto, não vale a pena esperar por explosões de dezenas de carros de uma vez só ou tiroteios no estilo de “Duro de Acabar” — este é um filme de um gênero totalmente diferente. O elenco é bastante bom e, além do já mencionado Nicolas Cage, que interpretou o papel principal, também vale destacar o insuperável James Gandolfini, estrela da série “Os Sopranos”, que interpretou Eddie Pool. Em sua simplicidade, a história instrutiva de Joel Schumacher, em nenhum momento ao longo das mais de duas horas de duração, tenta sobrecarregar o espectador com reflexões pseudofilosóficas, dar respostas às “questões eternas” nem se aprofunda em outras questões metafísicas. Há um detetive, há um caso e há uma investigação que se desenrola em cenários sombrios, quase realistas, e que às vezes pode até assustar. Em termos simples, o filme “8 Milímetros” é exatamente o tipo de obra que o cinéfilo espera ver depois de assistir ao trailer e ler um resumo do enredo. E, de quebra, é um dos melhores filmes com Nicolas Cage.