Na Terra, é captado um sinal enviado por uma fonte de origem claramente não terrestre. Essa fonte se aproxima, e todo o planeta fica com os “ouvidos” atentos. Ninguém, porém, esperava que os alienígenas fossem tão gigantescos e em tão grande número. Todo espectador que se considere um verdadeiro fã de ficção científica certamente conhece o filme “O Dia da Independência”, que iniciou sua trajetória triunfal nas telas do mundo já em 1996. Pode-se dizer que Roland Emmerich, diretor e um dos roteiristas desse filme, conquistou, com essa obra, um lugar de honra na história do cinema mundial. Se alguém tiver dúvidas a esse respeito, basta fazer uma pergunta simples a um fã do gênero de ficção científica: qual é o filme mais popular sobre a invasão da Terra por alienígenas que você conhece? A resposta será óbvia… Aliás, Emmerich finalmente está pronto para filmar duas sequências de “O Dia da Independência” de uma vez só. No entanto, não vale a pena se apressar, já que a estreia da primeira só acontecerá em 2015. Clichê sobre clichê Muitos espectadores brasileiros criticam esse filme pela quantidade incrível de clichês que os autores inseriram em sua obra. Aqui temos o heróico presidente americano de aparência bastante jovem (Bill Pullman), que assume o comando das Forças Armadas dos EUA seguindo o exemplo dos reis da Velha Europa; aqui temos os americanos que se comportam heroicamente em momentos de perigo, que mesmo na hora da morte continuam fazendo piadas e mantendo a compostura; e também os russos histéricos, que agem como vândalos, sucumbindo ao pânico diante da invasão alienígena. Acrescente a isso uma abordagem superficial aos detalhes em questões que não dizem respeito aos Estados Unidos (por exemplo, o presidente dos EUA e sua equipe assistiram a uma reportagem sobre os distúrbios em Novosibirsk, onde, tendo como pano de fundo incêndios e confrontos entre grupos rivais, podiam-se ver as torres do Kremlin). Já a grandiosidade com que tudo se desenrola pode ser tranquilamente considerada inovadora e merecedora da mais alta avaliação! Apesar de toda a enorme quantidade de clichês que caracterizam este filme, “O Dia da Independência” é, sem dúvida, um clássico de Hollywood. É possível amá-lo, ficar indiferente a ele ou odiá-lo, mas negar o fato de que, neste filme, seus autores utilizaram um arsenal poderoso de técnicas e recursos cinematográficos — que depois foram adotados por centenas de outros diretores e roteiristas — seria uma tolice sem sentido. Basta assistir, pelo menos, ao mesmo “Batalha Naval”, ou “Invasão Alienígena: A Batalha por Los Angeles”, ou “A Guerra dos Mundos”, ou… Eu poderia continuar indefinidamente, mas já está claro que essa obra de Emmerich não se tornou apenas mais um filme de ficção científica, mas deu origem a uma tendência totalmente nova no cinema, elevando o padrão de qualidade de obras semelhantes a um patamar inatingível para muitos. Nas bilheterias, o filme “O Dia da Independência” obteve um sucesso estrondoso, que até hoje é motivo de inveja até mesmo para os cineastas mais prolíficos e bem-sucedidos do mundo: os 75 milhões de dólares gastos na produção (na verdade, um orçamento bastante modesto, se comparado aos blockbusters atuais) renderam aos seus criadores mais de oitocentos milhões de dólares! É notável que, apesar do sucesso estrondoso que esse filme teve em todo o mundo, ele tenha recebido apenas um “Oscar” — na categoria de melhores efeitos visuais. No entanto, isso apenas ressalta mais uma vez o valor artístico bastante modesto deste filme, que se resume apenas ao espetáculo, que se tornou um exemplo a ser seguido. Seja como for, esta obra entrou para sempre no ranking dos blockbusters de Hollywood mais assistidos.