A obra-prima do cinema “O Confronto” já tem quase dezoito anos e, assim como muitos de vocês, eu já a assisti várias vezes. No entanto, independentemente do número de vezes que o assisti, não perdi de forma alguma o interesse por essa obra e, a cada nova exibição, encontro nela algo novo, cativante e impactante. “O Confronto” é, sem dúvida, um exemplo impecável de filme de alta qualidade; filmes assim ficam na memória para sempre. Uma representação memorável, personagens inesquecíveis, um enredo magnífico — não são essas qualidades próprias dos melhores thrillers, das quais todos os melhores se orgulham? Filmes semelhantes a “O Confronto” são exemplares em todos os aspectos — na escolha do elenco e do enredo, no trabalho do diretor de fotografia e do diretor, nas trilhas sonoras e na direção de arte. O filme tem quase 3 horas de duração, mas não há nada supérfluo nele; ele mantém o espectador grudado na tela o tempo todo. Além disso, todas as cenas são apresentadas na sequência certa e, por isso, cada quadro do filme tem um valor específico. Vale a pena destacar o excelente trabalho de câmera de Dante Spinotti, que filmou o longa em tons frios de azul claro. Uma abordagem muito incomum para o filme: ele conseguiu retratar o “frio”, a solidão e incorporou tudo isso à melancolia daquela enorme cidadezinha. As cores frias, de certa forma, ajudam a revelar melhor os papéis dos personagens principais. Ao assistir ao filme, é como se você mergulhasse na imagem na tela e, de certa forma, também passasse a participar da ação do filme junto com os bandidos e os policiais. O enredo do filme gira em torno do confronto entre dois personagens únicos em suas respectivas áreas de atuação: um ladrão genial e um detetive igualmente brilhante. Tudo parece simples: o policial tenta prender, o ladrão tenta fugir. Mas há uma semelhança fundamental entre os personagens — ambos amam profundamente seu ofício e, por isso, estão dispostos a ir até o fim por ele.