O filme “O Céu sobre Berlim”, uma obra-prima profundamente comovente e que convida à reflexão sobre a fragilidade da existência, criada por Wim Wenders em parceria com o escritor e diretor austríaco Peter Handke. Trata-se de uma parábola surpreendente e comovente sobre anjos que desceram à Terra para observar a vida das pessoas. Dois anjos — Cassiel e Damiel — pairavam sobre a Terra, desfrutando da leveza e da despreocupação de sua vida celestial. Esses seres invisíveis e incorpóreos têm a capacidade de atravessar paredes com facilidade, escutar absolutamente qualquer conversa e captar, na mente das pessoas, até mesmo pensamentos que não foram ditos em voz alta. Para eles, não há barreiras; estão sempre por perto, ao nosso redor, e se esforçam para nos proteger, abrigando-nos com suas asas contra todo tipo de infortúnio. Mas, ao mesmo tempo em que se alegram e desfrutam da liberdade, invejam os humanos e sentem uma tristeza silenciosa por não terem acesso às alegrias da vida terrena. Em determinado momento, Damiel, ao se apaixonar por uma mulher terrena, percebe que não quer mais viver como um anjo. Ele deseja abraçar e tocar sua amada Marion, sentir o aroma de seu perfume, aquecê-la do frio com todo o seu corpo em seus braços. Afinal, no mundo onde vivem os anjos, não há contato físico e a passagem do tempo não é percebida; há apenas o pensamento e a espiritualidade. Apaixonado por uma acrobata de circo, Damiel decidiu escolher o amor terreno, aceitando todas as falhas, fraquezas e imperfeições humanas. Pelo bem de seu amor, ele renuncia à imortalidade e à possibilidade de planar sobre a Terra, sem tempo nem espaço.