Se o enredo do primeiro filme clássico foi inspirado em Akira Kurosawa, então, tendo em mente as tristes consequências judiciais e financeiras de tal decisão precipitada, desta vez, Leone, em colaboração com mais alguns autores, escreveu de próprio punho um roteiro totalmente original. Desta vez, o protagonista, que no primeiro filme se chamava Joe, surge diante dos espectadores com o apelido de “O Maneta”. Por uma pequena remuneração, ele concorda em ajudar mais um caçador de recompensas — um coronel aposentado do Exército Confederado chamado Douglas Mortimer — a localizar e eliminar um bandido chamado “Índio”, que é o chefe de uma gangue. O Índio fugiu da prisão para assaltar um banco em El Paso, e conseguiu com sucesso. Mas há uma recompensa por sua cabeça, e dois Caçadores estão em seu encalço. O Índio é um bandido muito cruel, com uma longa lista de crimes e assassinatos de pessoas inocentes em sua consciência. No entanto, provavelmente devido ao seu vício em fumar maconha, seus nervos estão bastante abalados; além disso, ele se considera uma pessoa muito religiosa. Isso também é um fator que desestabiliza sua psique, e ele é frequentemente atormentado por lembranças terríveis de como massacrou brutalmente um casal, além de ter estuprado uma jovem que depois se suicidou. O índio sofre de crises inexplicáveis, ora de medo, ora de risadas enlouquecidas; seu olhar é o de um homem completamente enlouquecido. No entanto, todas essas dificuldades não tornam suas ações nem um pouco mais humanas… No final das contas, no filme *Por Mais Alguns Dólares*, descobre-se que a infeliz jovem estuprada era irmã de sangue do coronel Mortimer, e ele é movido por um sentimento de justa vingança. Dois caçadores de recompensas alcançam o índio e o matam em conjunto, cada um movido por seus próprios motivos. O Maneta recebe a recompensa a que tem direito, enquanto Mortimer realiza um ato de vingança pela honra de sua falecida irmã. Todos os três filmes de Leone são igualmente marcados por uma ironia sutil sobre a perda da base religiosa da consciência no Novo Mundo, o que leva à perda das raízes.