Nota histórica: Sherriff se formou em Oxford e iniciou sua carreira literária escrevendo peças para o teatro estudantil. A primeira delas, que foi encenada em um teatro profissional e publicada, foi “O Fim da Estrada”, que imediatamente trouxe ao autor ampla fama e o carinho dos leitores e espectadores. James Whale a encenou inicialmente em um palco amador; depois, recebeu a proposta de montá-la em um teatro profissional de Londres, e a peça ficou em cartaz por 600 apresentações. Em seguida, ele foi convidado para a Broadway e, em 1930, realizou seu primeiro filme. Vale ressaltar que foi justamente esse diretor quem, posteriormente, dirigiu o famoso filme estrelado por Vivien Leigh — “A Ponte de Waterloo”. Sobre o enredo: a ação da peça e, posteriormente, da adaptação cinematográfica de “O Fim da Estrada” se desenrola durante a Primeira Guerra Mundial, mais precisamente nas trincheiras, e os protagonistas são oficiais de nível médio do exército britânico. Na nova versão cinematográfica, dirigida por Sol Dibb, conhecido pelo público por seus requintados projetos de figurino em “Suíte Francesa” e “A Duquesa”. Desta vez, ele criou uma história coesa sobre pessoas que vivem na expectativa permanente da chegada da morte. A ação se passa em março de 1918. As tropas britânicas sabem muito bem que o avanço alemão é inevitável e deve começar a qualquer momento. Nesse momento, um tenente muito jovem chamado Reilly é enviado para a frente de batalha, sendo designado para um batalhão comandado pelo capitão Stanhope, que, naquela época, já contava com três anos de serviço na linha de frente. No entanto, ele não consegue se acostumar com todos os horrores de sua existência e tenta abafar suas emoções com o consumo excessivo de uísque, e fica claro que lhe couberam muitas desgraças e sofrimentos. Ele sofre imensamente por ter que enviar seus subordinados para a morte, sem nem mesmo entender em nome de quê. Ainda mais sofrimento lhe causa a necessidade de mentir para eles. No entanto, há também um personagem como o veterano experiente chamado Osborne, que sempre tem seu cachimbo entre os dentes. Ele nunca desanima e toma o jovem tenente sob sua proteção. Diante dos olhos dos espectadores do filme “O Fim da Estrada”, desenrola-se a vida nas trincheiras com todos os seus horrores, tanto cotidianos quanto psicológicos, quando as pessoas percebem plenamente que não lhes resta muito tempo de vida — exatamente até o ataque alemão. Cada um deles, da maneira que pode, tenta abafar o medo e a dor de saber que sua vida está chegando ao fim. Não são heróis estereotipados, prontos para abrir mão de suas vidas sem medo nem remorso em nome de um objetivo incompreensível; cada um deles quer viver, e cada um entende que as chances de sobreviver são poucas. O filme não mostra muitos horrores nem as realidades do verdadeiro caos bélico; no entanto, a opressiva expectativa da morte cria uma atmosfera sufocante de desesperança e de uma situação sem saída, na qual os personagens se encontraram…