Não é segredo para ninguém que todo mundo adora brincar, brincar, pregar peças em seus entes queridos, conhecidos e amigos — e, às vezes, até em desconhecidos. Tudo isso é feito de forma divertida, leve e descontraída, e as pessoas que são alvo das brincadeiras acabam se juntando à diversão e rindo junto com todos de si mesmas. De fato, afinal, não há nada de errado nisso, se quem foi alvo da brincadeira não sofreu nenhum dano; pelo contrário, ele, assim como todos, recebeu uma enxurrada de emoções positivas. Outra história é quando a brincadeira é maldosa, pode-se dizer cruel, e as pessoas, depois dessas pegadinhas, demoram muito para se recuperar e, às vezes, simplesmente “perdem a cabeça” com uma brincadeira sofisticadamente sádica. No entanto, às vezes acontece que aqueles que pregam as pegadinhas, sem poupar os sentimentos alheios, acabam se colocando na mesma situação, servindo eles próprios de cobaias. O novo filme (o segundo para ambos) dos diretores Damien Mace e Alexis Weisbrout — “Não desligue o telefone”, conta mais ou menos essa história, na qual o mal causado aos outros volta como um bumerangue para as pessoas despreocupadas e satisfeitas com suas piadas. Assim, a ação do novo filme começa bem tarde da noite. Exatamente às 3 horas e 23 minutos, toca o telefone. Uma mulher sonolenta, ainda meio adormecida, atende o telefone. Do outro lado da linha, ouve-se uma voz masculina que se apresenta como policial. Em tom autoritário, o homem pergunta quem mais está na casa além dela e exige que todos permaneçam dentro de casa e, em nenhum caso saíssem, e que ela mesma deveria estar constantemente disponível. Informaram-lhe que estavam realizando uma operação para capturar um criminoso e que, segundo algumas informações, ele poderia estar na casa dela. Era assim que seus amigos — Roy, Mosley, Brady e Sam, famosos por suas pegadinhas — brincavam “gentilmente”. Não era a primeira vez que eles pregavam essas peças seus amigos e conhecidos dessa forma e, depois, publicavam na internet para que todos vissem, exigindo curtidas. Mas, logo, eles próprios acabaram se tornando as “cobaias”. Agora, eles terão que não desligar o telefone e permanecer em contato. A violação dessa condição é punida com a morte. A morte, precisamente, de seus familiares e pessoas próximas.