Nota histórica: A doutrina cristã chegou ao território da Irlanda pagã no início do século V século. Segundo a tradição, São Patrício pregou nessas terras, tendo iniciado sua missão em 432, começando por queimar o livro sagrado dos druidas e destruir seus ídolos. Seu ensinamento se espalhou rapidamente, porém a Igreja irlandesa tinha suas particularidades e existia praticamente independente de Roma. Isso ocorria, antes de tudo, porque os pregadores romanos não conseguiam chegar facilmente a uma região tão periférica, e o ensinamento cristão assumia na Irlanda suas próprias formas, determinadas pelas tradições locais e pela mentalidade dos habitantes. Basta dizer que os irlandeses escolhiam seus próprios bispos, enquanto em outros locais de difusão do cristianismo eles eram nomeados por Roma. Até mesmo a celebração da Páscoa na Irlanda seguia um calendário próprio, e só adotou o calendário comum em 704. Na verdade, na Irlanda, entre os séculos V e XII, existia uma Igreja celta totalmente autêntica, que se destacava por sua grande erudição e, tendo absorvido muitos elementos da cultura pré-cristã e das visões dos celtas, caracterizava-se pela grande simplicidade, pelo amor à natureza e pelo ascetismo de vida de seus devotos. No entanto, a partir do início do século XIII tudo mudou devido ao fato de as ilhas irlandesas foram alvo das mais violentas incursões dos vikings, que eram pagãos. Os barcos normandos saqueavam constantemente os assentamentos irlandeses, e era nos mosteiros locais que encontravam o saque mais valioso. Os monges locais acabaram por sobreviver a todas as adversidades, mas tiveram que buscar a proteção de Roma, e a era da Igreja independente chegou ao fim. Sinopse: Exaustos dos constantes ataques e saques por parte dos normandos, um pequeno grupo de monges liderado por um calado celestino — que nesta vida teve de passar por muitas desgraças e provações — decide salvar a relíquia de seu mosteiro: uma pedra relacionada aos tormentos de São Mateus. Eles decidem partir com ela para Roma e, de quebra, pedir ajuda aos irmãos na fé. Para isso, precisam atravessar toda a sua ilha verdejante, de oeste a leste. Mas terão de realizar sua jornada em meio a uma guerra fratricida e cruel entre as tribos locais, que não são menos perigosas do que os implacáveis normandos. No caminho para a costa leste, os jovens monges começam a compreender plenamente todo o valor de sua relíquia, tanto do ponto de vista material quanto religioso e até mesmo político. E sua missão se torna cada vez mais perigosa e imprevisível. Por fim, eles percebem de que sua fé nessas terras, onde reinam cultos antigos e superstições, pode ser a causa de sua morte…