Assim, no centro das atenções dos espectadores, um bezerro bem-humorado chamado Ferdinand. Ele adora deitar na grama, apreciando o aroma das flores sob o sol quente da Espanha. Ele gosta de uma vida tranquila e serena, onde pode refletir sobre o sentido da existência, filosofar, por assim dizer. Ele era tão inofensivo que era praticamente impossível fazê-lo perder a paciência. O sonhador Ferdi não se sentia atraído pela correria enlouquecida de seus colegas, que incansavelmente corriam pelos prados uns atrás dos outros, provocando-se e dando chifradas. Ele não participava das inúmeras competições. Na verdade, ninguém prestava atenção ao aquele bezerro estranho. Assim, na tranquilidade e no relaxamento, ele cresceu e se tornou um touro bonito e forte, que continuava a cheirar as flores, admirar o céu sem nuvens e respirar o ar fresco. Ele acreditava sinceramente que o Todo-Poderoso havia se confundido ao colocá-lo naquele corpo robusto de um jovem touro, em vez de colocá-lo em uma pequena borboleta que brilhava com cores variadas. E assim ele continuaria vivendo se não fosse que… Em um dos dias tranquilos — aliás, como sempre — do desenho animado “Ferdinand”, não tivessem chegado ao rancho pessoas que selecionavam os animais maiores e mais agressivos para participar das lutas organizadas anualmente em Madri. Aconteceu que os cinco trabalhadores, que estavam escolhendo os animais de que precisavam, escolheram Ferdinand por puro acaso, já que ele era um dos maiores animais entre todos os demais. Afinal, eles não sabiam que ele, em toda a sua vida, nunca havia cruzado seus chifres assustadoramente grandes e afiados contra ninguém. Ele simplesmente não sabe lutar. Ferdinand se viu em uma situação muito difícil. Será que ele conseguirá provar aos que o cercam que se enganaram ao escolhê-lo, ou será que vai se recompor e dar uma surra no seu adversário — de quem ele ouviu dizer que é o exemplar mais poderoso e feroz do torneio — dar uma surra? Afinal, isso não é tão simples quanto parece, especialmente para um ser que, em sua imaginação, se vê como uma borboleta voando de flor em flor, e não como uma carcaça correndo freneticamente com os olhos cheios de sangue.