O thriller policial “O Vizinho ”, do diretor Marcus Dunstan, mais conhecido pelo público por obras como praticamente todas as partes da série “Jogos Mortais”, “Piranha 3DD” e “Racist Baby” (2016), conta como às vezes pode ser perigoso guardar “esqueletos no armário”, mas fica ainda mais perigoso quando esses “esqueletos” começam a cair de lá, contra a vontade do dono do armário. E é ainda mais assustador quando esses esqueletos não caem, mas ficam cuidadosamente escondidos no porão, onde não se deve enfiar o nariz curioso demais. O protagonista do filme “O Vizinho” é um traficante de drogas típico, comum e de pouca monta. Ele está tão acostumado à sua vida cheia de perigos que praticamente não presta atenção a esse perigo; no entanto, no fundo da alma, ele, é claro, compreende que está vivendo de forma errada, que não dá para continuar assim, que algum dia a sorte vai se afastar dele e o destino vai lhe dar um tropeço justamente onde ele menos espera, e “não há palha estendida”. Após refletir um pouco, ele decidiu mudar de vida, começar, por assim dizer, “do zero”. Para começar, mudou-se para outra nova casa. O primeiro passo está dado, ele está pronto para começar uma nova vida; para isso, é preciso romper com os laços antigos e fazer novos amigos. E quem, pela lógica, deveria ser o primeiro novo amigo? Isso mesmo — o novo vizinho. Era muito tentador conhecer um rapaz jovem, mas solitário. Embora, é claro, seja estranho ele estar sozinho, ainda mais em uma casa tão grande. É claro que o ex-traficante entende que toda pessoa tem direito à sua vida privada, sobre a qual não se fala a estranhos, mas ele nem sequer conseguia imaginar que seu vizinho escondesse tais segredos; não só falar sobre eles, mas até mesmo pensar neles já era assustador. Ele se comporta de maneira muito estranha, o que ainda é a menor das desgraças, mas por que ele não gostou dele logo de cara — eis a questão. Só com o o tempo, o rapaz vai perceber que, provavelmente, não deveria ter insistido tanto em descobrir o segredo do vizinho. E agora é só pensar em como escapar das intenções sanguinárias dele e conseguir sair da armadilha na qual caiu por causa de sua própria tolice e curiosidade excessiva.