No centro da trama está uma família bastante estranha. O chefe da família, se, é claro, se for possível aplicar ao marido americano esse epíteto ultrapassado nos dias de hoje, em que prevalecem a igualdade e a emancipação, é o gênio da informática Elji. Ele trabalha na “Microsoft”, é muito ocupado e raramente fica em casa, pois está sempre envolvido em alguma atividade — reuniões, consultas e viagens de negócios. É verdade que ganha um bom dinheiro, mas, para sua esposa, Bernadette, isso não é o mais importante, já que ela própria também é uma pessoa bastante abastada. Agora, sobre a esposa. Bernadette Fox — no passado, uma arquiteta e designer de muito sucesso, que ganhava muito dinheiro com seus projetos originais, de modo que conseguiu uma vida confortável muito rapidamente e em abundância, e não se priva de nada, mas também não deseja mais trabalhar e na verdade, virou uma verdadeira eremita. Quase não sai de casa e, quando sai, é só com óculos escuros. Se comporta de maneira extremamente estranha — não corta a grama da frente, não quer participar do conselho de pais e muito menos participar das reuniões, gasta dinheiro à toa para todos os lados e, para cuidar de todos os seus assuntos, contratou um secretário particular — e, ainda por cima, remoto, de modo que ele fica lá na Índia. Todas as mães do conselho escolar estão completamente de cabeça virada com ela; imaginem só, uma vez ela adormeceu no sofinha da farmácia! E a própria protagonista se refere a todas elas apenas como “mosquinhas” irritantes. E, finalmente, a filhinha exemplar desse casal estranho, chamada Bi, de quinze anos de idade. Ela é inteligente e nota máxima, aluna aplicada e filha obediente e amorosa. E ela tem um sonho acalentado: visitar a Antártida — chegar ao Polo Sul. E então a mãe amorosa, embora bastante estranha, decide satisfazer o desejo da filha, e juntas planejam fazer a viagem nas férias de Natal. Mas exatamente dois dias antes do Natal, Bernadette desaparece repentinamente, sem deixar rastros. E ninguém sabe para onde ela foi. Nem o marido, nem os vizinhos, nem as mães do comitê, nem a filha… E todos suspeitam que a mulher já não esteja mais viva. Mas Bi não quer aceitar isso e decide conduzir sua própria investigação. E, nesse processo, a menina descobre muitas coisas interessantes sobre a vida secreta de sua mamãe. Acontece que que Bernadette tinha problemas de saúde mental e mantinha uma longa e secreta correspondência com um psiquiatra. Mas isso ainda não é tudo. Descobre-se que as excentricidades e o isolamento da mãe eram perfeitamente explicáveis e justificados, já que, por alguma razão, ela estava sendo vigiada por agentes do FBI. E assim, passo a passo, a menina encontra cada vez mais indícios e detalhes sobre sua mãe, sobre a qual, como se descobre, ela nem conhecia… Reunindo informações aos poucos, Bi chega à conclusão de que a mãe realmente partiu para a Antártida sem ela, com o objetivo de se livrar para sempre da sociedade de pessoas que ela já não suportava mais. Mas Bi ama muito a mãe e não quer de jeito nenhum aceitar a separação. E ela está pronta para ir atrás dela até o fim do mundo, no sentido mais literal da palavra. E, se for preciso, ficar lá para sempre… Filme “Para onde você foi, Bernadette?”