Em 2013, “Os Sete Magníficos” foi incluído no Registro Nacional de Filmes dos EUA, tendo sido reconhecido como cultural, historicamente e esteticamente significativo. É interessante a história da produção do filme e suas diferenças, tanto históricas quanto filosóficas, em relação à obra original japonesa. O roteiro inicial foi escrito por Walter Newman, mas as autoridades mexicanas exigiram alterações bastante significativas. Desde o fato de que os camponeses deveriam estar vestidos com camisas brancas limpas até o fato de que o chefe da aldeia os envia aos Estados Unidos não para contratar atiradores, mas para comprar armas a fim de se defenderem por conta própria, e só depois é que surge a decisão de contratar profissionais. Além disso, os mexicanos exigiram que Newman fosse ao local das filmagens e estudasse as tradições e a vida daqueles que ele retratava, mas ele se recusou. Então, William Roberts assumiu a revisão do roteiro, e sua contribuição foi tão significativa que se decidiu incluir seu nome nos créditos. No entanto, Newman ficou muito ofendido com isso e retirou seu nome. Assim, apenas Roberts figura como roteirista. Em comparação com o original japonês, a versão clássica americana do filme apresenta diferenças significativas, sobretudo na própria filosofia ideológica. Por exemplo, não há absolutamente nenhuma cena em que os camponeses matem o bandido que capturaram. Em “Os Samurais”, os samurais não usam armas de fogo, considerando isso impróprio para si mesmos. Em “Os Sete”, esse tema está ausente, e a ação, que se passava no século XVI, foi transferida para o século XIX. Em “Os Samurais”, os bandidos são totalmente despersonalizados, nem sequer têm nomes, enquanto em “Os Sete” é mencionado o nome do líder Calvera, e o próprio personagem é bastante pitoresco e marcante. E o mais importante. No final do filme de Kurosawa, o samurai que se apaixonou por uma moça da aldeia acaba deixando-a, pois o caminho do guerreiro não pode ser interrompido por uma camponesa; seus caminhos só podem se cruzar por acaso. Em “Os Sete”, ao contrário, é muito importante o tema de que o jovem atirador, que antes era camponês, fica com sua amada, voltando às suas origens.