O espectador não verá os campos de concentração em si nem a história de sua criação; muito pelo contrário, os acontecimentos do filme giram em torno dos visitantes desses campos. Eles, satisfeitos e felizes com a vida pacífica, com bons empregos e famílias, partem em seus fins de semana ou férias, apenas para passear pelo campo de concentração, dar uma olhada nas celas, nas salas de isolamento, no crematório e tirar fotos, tiram fotos e tiram fotos sem parar. Essa é a nossa contemporaneidade, que quase esqueceu o que realmente é um campo de concentração. Sergei Loznitsa, com a câmera fixa, observa os turistas que vagam sem rumo, muitos dos quais vieram a esse lugar, assustador em sua essência, com crianças. Eles entram e saem, movem-se em diferentes direções, acenam com as mãos para espantar as moscas incômodas de seus suculentos hambúrgueres, tiram selfies em grupo e individuais tendo como pano de fundo aquelas mesmas forcas onde, outrora, queimavam vivos pessoas como elas mesmas. Pessoas inocentes, cuja única culpa foi terem se encontrado no caminho dos fascistas. Essas pessoas vieram aqui para se divertir, e não para se interessar pela história de pesadelo; em seus rostos não há nenhum traço de horror ou repulsa. Jovens e menos jovens, com mochilas nas costas, uns de bermuda, outros de calça, com roupas estilosas e na moda — eles são muito diferentes daqueles que viveram e morreram no campo de concentração. Essas pessoas vieram para cá por vontade própria, ao contrário daquelas outras que eram trazidas para o campo de concentração em vagões de carga. Turistas comuns, comportando-se como convém a turistas. Apenas pessoas vagando sem rumo — por um instante, esqueceram que um campo de concentração, mesmo que não esteja em funcionamento, não é a Disneylândia, que as paredes, em cujo pano de fundo tiram fotos, guardam todo o sofrimento e a dor das pessoas que morreram sem motivo, que tiveram a infelicidade de se tornarem inimigas da Alemanha nazista.