Tim, um garoto desajeitado e tímido, descobre com seu pai um segredo incrível: afinal, todos os homens da família dele podem viajar para o passado. Em qualquer dia, quando quiserem. Basta apertar bem os punhos e, com força de vontade, se transportar no tempo. Pareceria que tal talento poderia trazer ao seu dono um poder sem precedentes e meio reino de quebra. Vamos conferir? Personagens: Desta vez, vou me afastar da tradição habitual e não vou me concentrar em cada personagem separadamente. Direi apenas que Rachel McAdams estava engraçada e comovente em seus trajes vintage absurdos e com aquela franja boba, e o filho do famoso Brendan Gleeson, Donel, já há muito tempo deixou para trás o papel de herói de “Harry Potter” e se tornará um ator claramente não inferior ao pai. É muito raro, depois de assistir a um filme, eu não ter nada a comentar. Normalmente é um ponto positivo, um ponto negativo, um “quase-quase” ou “Ah, que Johnny Depp (Jolie, Pitt, Washington)!” Aqui há protagonistas nada ruins e personagens coadjuvantes, de segundo e terceiro plano, absolutamente impressionantes — verdadeiros gigantes do cinema britânico: Tom Hollander, Richard Griffiths, Lindsay Duncan e Bill Nighy — o encantador e brilhante Bill Naiy. E nem há o que comentar. Nem dá vontade de perguntar se mais alguém gostou desse filme. A garota à minha esquerda chorava durante a exibição, o grupo à direita ria, e o casal atrás de mim aplaudia com entusiasmo. O trailer dava a entender algo totalmente diferente, uma comédia leve. Mas acabou sendo… Imagine uma história sobre a vida mais comum de uma pessoa bem comum: ele cresce, escolhe um emprego, luta pelo amor, vira pai, perde pessoas queridas. Não há nada de especial nele, exceto o talento engraçado de reviver qualquer momento do passado. Pareceria que não há o que assistir, afinal o protagonista não tem feitos heróicos, inimigos nem superpoderes. E seus sonhos não poderiam ser mais banais: encontrar o amor, ser feliz, cuidar dos entes queridos. Se você espera deste filme “O Namorado do Futuro” aventuras emocionantes no estilo da epopeia “De Volta para o Futuro, não vá ao cinema. Se espera acrobacias vertiginosas, portais entre mundos e consequências do efeito borboleta, não vá ao cinema: suas expectativas serão frustradas da maneira mais traiçoeira possível. Mas se você quiser ver a definição de felicidade mais acessível, simples e compreensível para todos, não deixe de ir. Há muita felicidade neste filme — comum, corriqueiro, às vezes desajeitado, mas invariavelmente muito caloroso. O título original do filme é *About Time*, “Sobre o tempo”. O renomado diretor Richard Curtis brinca: o tempo aqui é apenas um pano de fundo. Na verdade, o filme é sobre o amor: masculino, feminino, filial, paterno, materno, fraterno. Mais uma vez me surpreendo com o quanto os britânicos — que, à primeira vista, parecem frios e desajeitados — conseguem filmar histórias de pessoas comuns com tanto talento, sensibilidade e profundidade. Histórias engraçadas, com alegrias e perdas, às vezes até com falhas épicas. Outrora, “Amor Verdadeiro” me marcou profundamente. Até meu marido, com sua paixão por ficção científica — e apenas por ficção científica -, assistiu ao filme duas vezes seguidas. Ou três. Os britânicos riem de si mesmos com muita bondade; são dolorosamente sinceros ao revelar suas pequenas fraquezas humanas. ““O Namorado do Futuro” é mais simples e mais forte ao mesmo tempo. Mas muito parecido. Bravo, senhor Curtis, este é mais um filme que realmente vale a pena. É agradável sair do cinema pensando que, na vida, não há um único dia ou acontecimento que se queira mudar. Se, depois de assistir a este filme, você chegar à mesma conclusão, você é realmente uma pessoa feliz. Seja quem for, esteja onde estiver. Ah, sim. A trilha sonora é incrível. As tatuagens no início do filme me fizeram rir. Em “O Cara do Futuro”, há muitas coisas que fazem rir. E simplesmente emocionam.