Na história, essa disputa ficou conhecida como a “guerra das correntes”. No início, Edison e Tesla trabalhavam juntos. Para ser mais preciso, Tesla trabalhava para Edison. Em 1880, Edison patenteou sua tecnologia de linhas de corrente contínua e, lançou em janeiro de 1882 a primeira usina elétrica; alguns meses depois, já havia feito o mesmo em Manhattan e, em 1887, havia mais de uma centena dessas usinas em operação por toda a América. Por um lado, os sistemas de corrente contínua eram muito simples e não exigiam a integração em um sistema único com sincronização comum, algo que os sistemas de corrente alternada exigiam. Mas, por outro lado, havia uma grande desvantagem: havia grandes perdas de energia devido ao aquecimento dos fios, que aumentavam à medida que a tensão da linha aumentava. Na verdade, ao tentar superar essa desvantagem, Tesla encontrou a solução com o uso da corrente alternada, que patenteou em 1888, após se afastar de Edison. Em seguida, ele encontrou o investidor — o empresário George Westinghouse -, com quem passaram a representar uma forte concorrência para Edison. O primeiro sucesso chegou em 1893, quando Westinghouse recebeu um pedido grandioso: iluminar a feira de Chicago, para o qual foram necessárias 200 mil lâmpadas. Esse evento marcou a primeira vitória. Três anos depois, eles construíram a primeira usina hidrelétrica nas Cataratas do Niágara. Mas Edison, ciente de que isso poderia levá-lo à ruína financeira, não tinha intenção de desistir. E, nessa guerra, ele recorreu a métodos nada éticos. Primeiro, ele entrou com uma ação judicial contra a Westinghouse, alegando que esta teria violado seus direitos de patente, mas perdeu o processo. E não parou por aí: para desacreditar a corrente alternada, ele organizou execuções públicas de animais usando essa tecnologia, tentando provar sua periculosidade para a vida humana e a segurança de sua própria tecnologia. Em seguida, ele desencadeou uma campanha difamatória na imprensa, na qual difamava Westinghouse alegando que foi justamente a corrente alternada que foi usada na invenção da cadeira elétrica como meio de execução por sentença judicial. Apesar de todos os seus esforços, já na segunda metade da década de 20, os sistemas de corrente contínua deixaram de se desenvolver nos Estados Unidos e, 70 anos depois, começaram a ser desmontados em todo o país. Em 2007, não restava mais nenhum consumidor de corrente contínua, e o engenheiro-chefe da empresa “Consolidated Edison” realizou um corte simbólico no cabo. Assim terminou a guerra das correntes.