Seu nome é Paul e ele vive de forma bastante isolada em uma pequena casa nos arredores. Já não é mais um homem jovem; no passado, foi um escritor bastante conhecido, mas, ultimamente, tem sido perseguido por infortúnios, especialmente depois que sua esposa o abandonou. A inspiração literária o abandonou; sua última obra não agradou ao cliente, que rejeitou o livro. Paul não consegue lidar com o desespero e tenta afogar a tristeza na bebida, na esperança de que o álcool o ajude a se esquecer e a não pensar nos reveses que o perseguem. A existência se torna cinzenta, monótona, rotineira; nem mesmo a névoa do álcool consegue dar um pouco de cor a ela. Mas a vida do protagonista do filme “A Borboleta Negra” deu uma guinada repentina quando ele deu carona a um passageiro aleatório. Eles começaram a conversar e o escritor, ao descobrir que seu novo conhecido não tinha bagagem nem teto sobre a cabeça, propôs que ele ficasse em sua casa por algum tempo. O jovem concordou. Quando soube que Paul era escritor, pediu para ler o manuscrito e, ao descobrir que Paul estava em um impasse criativo, propôs que ele escrevesse outro livro, colocando à sua disposição o enredo para a nova obra, justificando a proposta com o argumento de que o enredo do livro de Paul era muito fraco. A proposta foi ainda mais inesperada porque Paul, de alguma forma, não esperava algo assim vindo de alguém que mal conhecia, embora esse tivesse se envolvido profundamente em sua vida e até começado a cuidar das tarefas domésticas do escritor recluso. Os dias se passavam, seu novo conhecido nem sequer pensava em deixar a casa de Paul, ocupando-se das tarefas domésticas. O dono da casa logo notou, no misterioso rapaz, uma tatuagem estranha na forma de uma borboleta preta e perguntou o que ela significava. Seu hóspede contou que havia cumprido pena na prisão e que a tatuagem era de lá. Mas essas não eram todas as esquisitices relacionadas seu novo inquilino, que parecia ter se instalado para sempre em sua casa. Certa noite, Paul ouviu — ou lhe pareceu ter ouvido — um grito abafado de mulher e, algum tempo depois, o xerife, que passava de carro pela casa de Paul, perguntou, mostrando a foto de uma jovem bonita, se ele a tivesse visto, em algum lugar nas proximidades. Aos poucos, tudo o que era segredo vai se revelando. Resta apenas escrever o final do novo livro e colocar os pontos nos “is”…