O protagonista do drama baseado em fatos reais “O Mentiroso, o Grande e o Terrível” nasceu em Nova York, em uma família judia. Desde cedo, Bernard Madoff demonstrava espírito empreendedor e não tinha vergonha de trabalhar duro, já que tinha planos ambiciosos de enriquecer. Durante a faculdade, o jovem conseguia não só trabalhar como salva-vidas na praia e instalar sistemas de irrigação de jardins, mas também ser um dos melhores estudantes de ciências políticas. Graças ao seu espírito empreendedor e à sua determinação, o judeu economizou cinco mil dólares — o que era uma quantia colossal em 1960 — e abriu sua própria empresa, chamada Madoff Investment Securities. Levou dez anos para se estabelecer bem e envolver seus parentes no negócio, mas, no fim das contas, ele se tornou um dos fundadores da NASDAQ, que se dedicava à compra e venda de títulos. A Madoff Investment Securities figurava entre os vinte e cinco maiores participantes da NASDAQ; Bernard era considerado um pilar de Wall Street, pioneiro do comércio eletrônico na bolsa, e também admiravam sua abordagem inovadora e suas capacidades, já que o empresário se tornou o primeiro magnata nova-iorquino a informatizar o fluxo de documentos de sua empresa. Sua participação nos conselhos de administração da bolsa, seu autodesenvolvimento e suas atividades beneficentes, que ajudavam significativamente pacientes com diabetes e câncer, Além disso, o patrocínio multimilionário às artes e às instituições de ensino não apagou a sombra da vergonha que pairava sobre o famoso judeu, já que ele se destacou não apenas por suas boas ações. A maior parte do dinheiro de Madoff foi ganho de forma ilícita, pois ele se tornou especialista em enganar as pessoas, após estudar minuciosamente as características psicológicas de determinadas pessoas, bem como seu enorme desejo de enriquecer — cordas delicadas nas quais o incomparável vigarista tocava com maestria. O fundo criado pelo protagonista do filme “O Grande e Terrível Mentiroso” tinha a reputação de ser o mais confiável dos Estados Unidos. Os investidores recebiam doze a treze por cento de rendimentos anuais, o que era considerado um investimento lucrativo e estável. Os clientes da bolsa estavam convencidos de que Bernard contava com um informante secreto que lhe passava informações privilegiadas importantes, o que garantia lucros vultosos. Entre os clientes do fraudador estavam inúmeras organizações beneficentes, bancos, fundos de hedge, bem como celebridades de Hollywood. Descobriu-se que, durante todo esse tempo, o judeu seguia a filosofia de Charles Ponzi, que criou um esquema de pirâmide financeira baseado em fraude postal já no longínquo ano de 1920 e considerava que qualquer negócio era uma fraude. A prisão final do fraudador não abalou nem um pouco o empresário judeu, que conseguiu viver na mentira por inteiros cinquenta e oito anos. Somente em 2008 o “Mestre da Mentira” foi encurralado. O interessante é que os principais denunciantes do fundador da pirâmide financeira foram seus próprios filhos — Mark e Andrew. Devido à crise financeira, alguns grandes investidores procuraram Bernard com o pedido de devolução do valor investido na bolsa, mas ele não conseguiu, pois a pirâmide já havia entrado em colapso naquela época e o empresário não tinha de onde tirar os 7 bilhões de dólares. Atualmente, a Madoff Investment Securities tem uma dívida de 50 milhões de dólares, e Bernard confessou todos os seus crimes no tribunal, entre elas fraude, lavagem de dinheiro, falso testemunho e assim por diante. Ele foi condenado à prisão perpétua, o que equivale a 150 anos de prisão, mas o judeu empreendedor não se desespera, afinal, ele viveu setenta anos no luxo e conseguiu desfrutar de todos os prazeres e benefícios possíveis de uma vida rica.