O que pode ser mais banal do que o amor recíproco?.. Apenas o primeiro amor recíproco. Mas nem mesmo a reciprocidade garante a felicidade, quando o mundo dos apaixonados é invadido pelo mundo exterior — implacável em sua indiferença e justiça fria -, com seu princípio não menos banal de que “diante da lei, todos são iguais”. No entanto, o que é banalidade? Uma verdade comprovada pelo tempo. A história alegre e triste “Como um louco”, do diretor americano Drake Dorimus, baseada em seu próprio, escrito em coautoria com Ben York Jones, narra as dificuldades dos estudantes apaixonados Anna (Felicity Jones) e Jacob (Anton Yelchin). Anna, uma estudante inglesa, estuda em um programa de intercâmbio em uma faculdade de Los Angeles, onde se apaixona perdidamente por um estudante americano. Esquecendo-se de tudo, ela passa o verão nos Estados Unidos com Jacob, deixando assim sua visto americano vencer, e agora não pode mais entrar nos Estados Unidos. Dura Lex – Sed Lex. Já Jacob, depois de conseguir um bom emprego, também não consegue visitar a Inglaterra com frequência. O amor deles é posto à prova pela distância. Essa história simples e despretensiosa é contada com muita sinceridade e ternura em relação a um sentimento incipiente, sentimento ainda frágil, que as circunstâncias externas impedem de se consolidar. A atuação dos jovens atores é muito boa; eles, aliás, já possuem certa experiência no cinema e em séries. O filme “Como um Louco” foi rodado no estilo art-house do cinema documentário e, além disso, segundo o diretor, praticamente todos os diálogos de Anna e Jacob — são pura improvisação dos atores. Tudo isso confere ainda mais personalidade aos personagens e singularidade à sua história. Além disso, é preciso destacar a escolha muito acertada das trilhas sonoras e o trabalho virtuoso dos editores do filme, que criam uma sensação completa de realidade e de espontaneidade do que está acontecendo.