A ação se passa em 1989. Os acontecimentos se entrelaçam em um emaranhado complexo, envolvendo um jornalista, a polícia e tudo isso em torno do tráfico internacional de drogas. O personagem principal é o próprio Victor Malarek, interpretado por Josh Hartnett. Bonito, com bigode e cabelos longos. Ele trabalha como repórter investigativo para vários jornais e canais de televisão — quem pagar. Ele tem uma reputação controversa. Por um lado, é de uma honestidade cristalina; por outro, é um sujeito egocêntrico e descuidado, propenso ao caos, que se concentra apenas em sua profissão e nos resultados. Ele negligencia a família e os colegas, nunca pede nada a ninguém, nem mesmo perdão. E avança como uma escavadeira em direção ao seu objetivo. O espectador conhece o personagem em um estúdio de televisão, onde ele está enfrentando um sujeito bastante escorregadio e lhe faz uma série de perguntas de forma muito dura. No entanto, nesse momento, o pager de Victor toca, trazendo a notícia de que sua esposa foi levada para a maternidade. Isso dá ao sujeito um pretexto para fugir, e Ví tor vai ao hospital encontrar sua esposa, Anna, que, quando ele chega, já deu à luz… E logo vamos perceber que Victor é aquele tipo de anti-herói que vive se metendo em várias encrencas e, para ser sincero, ele merece cada uma delas. No entanto, também há espaço em seu coração para a compaixão… Melarik acaba se deparando com o caso de um ex-viciado em drogas, um rapaz ainda muito jovem chamado Daniel, acusado de contrabando de heroína na Tailândia e condenado a cem anos de prisão. Aos poucos, o jornalista descobre uma grande trama de corrupção, na qual também estão envolvidos policiais. Victor decide trazer essa conspiração à tona e salvar o rapaz da tortura e da prisão… O problema do jovem “criminoso” confuso, que se meteu em uma encrenca sem tamanho, acaba sendo, na verdade, mais sincero e trágico do que todas as confusões do renomado repórter, cujos problemas residem na esposa claramente insatisfeita e decepcionada e na impossibilidade de se divorciar dela, bem como dos chefes, que estão sempre exigindo uma notícia mais sensacionalista. E ele sempre atende às expectativas deles. E essa é a única razão pela qual não demitem esse mal-educado insolente… Curiosidade: as filmagens do filme ocorreram em dois locais — tanto no Canadá, quanto na Tailândia. Daniel Robi apresenta ao espectador duas linhas narrativas aparentemente independentes — as relações familiares de Victor e um esquema criminoso da polícia para capturar viciados e traficantes de drogas, que se entrelaçam de maneira totalmente inesperada somente no final do filme. O esquema de arbitrariedade policial é bastante comum na vida real. Os policiais armam todo tipo de armadilha para aqueles indivíduos que eles sabem que são culpados, mas não conseguem provar quando o suspeito é pego, forçam o “criminoso” ” a assumir toda a culpa. O filme não tem trilha sonora original, mas a trilha musical foi feita de forma muito sutil e requintada. Na opinião dos críticos, o filme, apesar do orçamento mais do que modesto, ficou bastante incomum. Destaca-se especialmente a atuação do jovem ator Antoine-Olivier Pilon, embora haja muitas críticas à atuação superficial e clichê de Josh Hartnett.