Certa vez, o cientista antropólogo norueguês e famoso viajante Thor Heyerdahl fez uma importante descoberta: ele chegou à conclusão de que a Polinésia foi colonizada por imigrantes vindos do continente americano, e não da Ásia. Ele chegou a essa conclusão devido à presença de fortes correntes, cuja direção impediria a migração vinda da Ásia, mas facilitaria a viagem rumo ao oeste. Por muito tempo, essa hipótese não foi levada em consideração pelos cientistas — afinal, entre a América do Sul e a Polinésia — há vários milhares de milhas, e imaginar que os colonizadores, que dispunham apenas de jangadas, pudessem atravessar com segurança o Oceano Pacífico, não era algo que alguém levasse em conta, embora os próprios polinésios soubessem exatamente de onde vieram seus ancestrais. Para provar sua hipótese, Thor Heyerdahl empreendeu uma viagem da América do Sul à Polinésia. O filme “Kon-Tiki”, de 2012, conta como, como, em 1947, um corajoso cientista e seus companheiros, tendo construído uma jangada semelhante à que os ancestrais dos polinésios poderiam ter construído, percorreram enormes distâncias e confirmaram a hipótese. É difícil filmar sobre figuras históricas reais: há sempre o risco de que os criadores canonizem seus heróis, dramatizem excessivamente os acontecimentos ou simplesmente os apresentem de forma unilateral. Algo como a visão pessoal do autor sobre o tema também pode trazer má fama ao filme: muitos espectadores podem não apreciar a imagem que verão na tela. No entanto, não é por acaso que o filme sobre a viagem de Thor Heyerdahl e seus companheiros se chama Kon-Tiki — em homenagem à jangada na qual os corajosos escandinavos empreenderam uma viagem revolucionária pelo Oceano Pacífico. Esta é a história de uma expedição em que realmente não faltaram heroísmo e drama: sabe-se, por exemplo, que Thor Heyerdahl não sabia nadar, mas isso não o impediu. No caminho, os cientistas enfrentaram uma tempestade, o risco de cair no mar e desaparecer nas imensidades do oceano, além do receio de que as cordas que prendiam as toras da jangada não aguentassem a carga e se rompessem. Sobre tudo isso, o espectador interessado pode formar sua própria opinião com toda a razão: como se sabe, Heierdal e seus companheiros registraram sua viagem em filmes, que foram posteriormente montados em um documentário. O trailer de “Kon-Tiki” de 2012 enfatiza o lado heróico do filme; por isso, vale ressaltar que observar o cotidiano na jangada é tão interessante quanto do que observar a luta contra as forças da natureza e os predadores marinhos. As imagens ensolaradas e vibrantes, aliadas ao dinamismo do filme, tornam a exibição envolvente e emocionante. Quanto à atuação dos atores,… vale mencionar que o filho de Thor Heyerdahl confessou: embora não quisesse assistir ao filme, depois de conhecê-lo, ele “reconheceu” seus pais.