A base do enredo de “O Método Perigoso” é a peça de Christopher Hampton, “A Terapia da Conversa”. Por sua vez, a peça foi escrita com base no livro intitulado “O Método Mais Perigoso”, escrito em 1993 por John Kierra. O filme é um drama biográfico, baseado em fatos reais com personagens reais: os dois fundadores da psicanálise, Sigmund Freud e seu aluno — e, posteriormente, antagonista — Carl Jung, bem como sua paciente — uma jovem judia chamada Sabina Spieltein. O filme revela suas relações complexas, tanto profissionais quanto amorosas. A ação do filme “O Método Perigoso” se desenrola em um período conturbado da história da Europa, às vésperas dos trágicos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial, entre 1904 e 1913. Todos os acontecimentos e personagens em que se baseia o enredo são fatos reais das biografias dos dois notáveis cientistas e de sua jovem paciente. No decorrer da psicoterapia, Sabina passa de uma que nem sequer consegue controlar os movimentos do próprio corpo, na amada de seu médico e, posteriormente, em uma colega de confiança, já que ela também se torna psiquiatra. Ao longo da psicanálise, são reveladas as causas profundas do transtorno psíquico de Sabina, que têm origem nas circunstâncias de sua primeira infância, quando ela sofria violência física por parte de seu pai cruel. Mas, ao que parece, os castigos físicos a que era submetida lhe proporcionavam prazer, e foi assim que se formou sua propensão ao sadomasoquismo. Paralelamente, no filme *O Método Perigoso*, é revelado também o drama das relações entre Freud e Jung. Mestre e aluno. Um aluno que, em seus métodos, ultrapassa os limites dos métodos do mestre, dedicando grande atenção ao componente místico do sistema psíquico humano, o que é totalmente rejeitado pelo mestre materialista. Jung, dotado de uma percepção mística do mundo, não acredita no acaso e considera que tudo neste mundo, incluindo os estados psíquicos do ser humano, está predeterminado. Freud, ao contrário, acredita que qualquer acaso pode ser interpretado pela consciência humana sob uma perspectiva mística. Dessa forma, revelando o papel primordial da razão humana, que é a causa de todas as experiências místicas. É essa contradição que leva a um profundo conflito científico e pessoal entre o professor e o aluno. O filme termina na véspera da Primeira Guerra Mundial. E, no posfácio, são relatados os destinos trágicos dos judeus Freud e Spiel, e de que o ariano Jung viveu até uma idade avançada às margens de um lago azul suíço.