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Conexão Perigosa
Paranoia
6
/ 10
5.6
2013
Drama
1 h 46 min
Índia
12
Existem filmes que são FILMES. Existem também aqueles que é melhor queimar logo, depois apagar ao estilo pioneiro e queimar os restos novamente. E há aqueles que simplesmente existem. Ficam anos jogados no disco rígido ou debaixo do sofá, acumulando poeira e sem influenciar de forma alguma o carma. Esses últimos são a maioria absoluta no mundo. É sobre eles que se sustenta a indústria cinematográfica e de onde se alimentam milhões de pessoas. E o fato de o espectador não os ver de perto é problema dele, do espectador, dificuldades sexuais pessoais. Daí também não dá para ver o esquilo, mas quem negaria sua existência? É duvidoso que o diretor Luketić, ao assumir o filme “Paranoia”, pretendesse dar à luz mais um esquilo para o mundo. Mas foi exatamente isso que aconteceu. O que, aliás, não é de se surpreender, já que esse tal de Luketic vem, há 16 anos, lançando regularmente nos cinemas exclusivamente os roedores mencionados. Em seu currículo, figuram “A Loira na Lei”, “Vinte e Um”, “A Verdade Nua e Crua”, “Os Assassinos” (aqueles com o Kutcher) e até mesmo “Se a Sogra for um Monstro” — todos lançamentos que polem o rodapé de todos os lados. O filme em questão, “Paranoia”, da equipe, decidiu não sair da linha: desde o título original (o Kinopoisk exibiu de cara 17 filmes com o mesmo nome) até o enredo, que só quem é preguiçoso ainda não explorou — e mesmo esse já deu uma mordida há muito tempo. Não é roubo — é um copiar e colar de má qualidade, que não chega nem perto da, nem os aposentados para os fãs da velha guarda, nem o Hemsworth para as meninas, nem o Herd para os meninos. Um jovem técnico de Brooklyn está montando algo no porão, corre pela ponte e vai trabalhar diariamente em um escritório de prestígio em Manhattan. Ele vai sim, mas suas chances de fazer sucesso são mínimas. Ele desperdiça a última delas ao apresentar à diretoria um dispositivo terrivelmente jovem, que pode conectar seu celular à sua própria TV. O chefe chato dá um basta no projeto e demite repentinamente toda a equipe. Em resposta, o jovem decide se divertir em um clube de prestígio, usando o cartão de crédito da empresa. Na manhã seguinte, depois de ser forçado a sair da cama de uma gata desesperadamente esnobe, ele volta a encontrar o chefe, mas a conversa já é bem diferente. O rapaz recebe a oferta de ou cumprir alguns anos de prisão por fraude, ou trabalhar como espião para o principal concorrente. Na primeira opção, só há vantagens e um banheiro compartilhado com uma; na segunda — um cobertura privativo, conta no banco, carro de luxo e outras delícias. Por alguma razão, nosso herói escolhe a última opção e mergulha de cabeça no roubo de segredos industriais. Lá, ele logo se depara com perspectivas brilhantes e com a mesma gata que o expulsou da cama. É verdade que, depois de um tempo, espionar fica cada vez mais difícil: o novo chefe conquista sua simpatia, o FBI começa a persegui-lo e a consciência começa a incomodá-lo. Bem, e a tentativa de dar o fora, como sempre, não acaba bem. E é aí que o rapaz decide provar que, mesmo entre duas forças, dá para se dar bem. E começa a se dar bem. O que, obviamente, não pode acabar em nada, exceto um final feliz. Pois o bem está destinado a vencer, mesmo no mundo dos malandros. Entendeu? As esperanças devem morrer por último. Senão, para que servem ser tão bonitas? E embora não houvesse grandes esperanças em relação a “Paranoia” antes de assistir, lá no fundo ainda ardia aquele “e se...” malicioso. Afinal, filmes desta temporada estão mais em alta do que nunca. E a Amber Heard sabe como ficar linda com cabelos cacheados. O resultado foi estranho. E o Oldman e o Ford, na maior parte do tempo, atuaram de improviso. E a moça também não ficou muito melhor. E até mesmo Liam Hemsworth, com certeza, conquistou uma fatia suculenta do público-alvo. Mas o filme mesmo assim não deu certo. É essa aí, uma história em quadrinhos da série “expectativas — realidade”. Os trolls aprovam. O problema, sem dúvida, está nos dentes. Que nem o enredo nem a direção têm, de jeito nenhum. Você não vai encontrar uma narrativa mais pobre e caipira nem mesmo nos festivais de cinema dos Balcãs, para os quais os ciganos cabeludos, como de costume, levam vídeos eróticos de suas cabras favoritas. Ou seja, eles simplesmente contam, com cara séria, como é difícil a vida dos nerds nas Américas e como tudo está podre lá no mundo dos grandes negócios. Meu Deus! Não pode ser! Será que até mesmo as pessoas que movimentam bilhões estão tentando derrubar umas às outras, roubam segredos e cutucam os otários nos cantos?! Para onde esse mundo está indo?! Vou beber veneno e passar a noite toda cantando Leps na praça! É difícil de acreditar, mas são exatamente esses tons que os roteiristas adotam, explorando discretamente o legado de John Grisham, que escreveu sobre tudo isso há quase meio século atrás. E embora o filme não seja baseado em Grisham, mas baseado no livrinho de um tal de Finder — a origem dessa confusão aparece bem no meio da tela. Mas até isso seria suportável, se não fosse pela vontade do diretor de fazer um cinema inspirador. Do tipo que incita a vontade de trabalhar com a mesma intensidade que o cavalo ruivo de Maiakovski. Por finais como esses, os autores de filmes “sérios” filmes “sérios” valeria a pena matar na hora. E depois levar o cadáver gelado para aquela mesma ilha, onde a equipe, repetidamente, por motivos pessoais, desenterra a comissária de bordo. Além disso, além de a principal trapaça ser encenada como nos desenhos animados dos “Smeshariki”, o FBI no filme é tão gentil e fofinho, e aparece tão na hora certa, que dá vontade de ir trabalhar lá imediatamente ou, pelo menos, transferir alguns salários para a conta de caridade deles. Caramba, as pessoas conseguem viver com uma segurança dessas! Na verdade, com essa desvantagem, poderiam ter enfiado até o Schwarzenegger e o Chaké nessa história — e eles também não teriam ajudado em nada. Nem o Oldman, que interpreta com sinceridade seu habitual vilão frio, nem o Ford, que no finalzinho até surpreendeu um pouco com sua transformação, conseguem dar conta do recado. Já Hemsworth e Herd, chamados para agitar um público já na idade adulta, mas ainda não totalmente enfraquecido, passam completamente despercebidos, como se fossem móveis com legendas. Enquanto isso, todo mundo corre e se agita, alguns até gritam. Segredos são roubados de forma infernal, planos traiçoeiros são postos em prática. E você fica sentado ali, tão frio, como um iceberg no oceano, e pensa que seria melhor ter lavado a louça em casa do que mastigar pela centésima vez essas bobagens corporativas. Bobagens bem elaboradas — quem diria o contrário? Só que com elas só dá para surpreender os adolescentes, cujos narizes ainda brilham. Gastar tempo com esse “thriller dramático” não é recomendado para pessoas não é recomendável. Dessa forma, você não vai conseguir chegar ao sucesso nem à aposentadoria. Melhor ainda, vá lá e roube o segredo industrial de alguém, ou algo assim. Ou conheça alguma garota atraente. Senão, o tempo vai escorrendo por entre os dedos. Daqui a pouco — e vão te enterrar. E isso não é paranóia — é a verdade da vida.
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Trailer
País:
Índia, Estados Unidos
Gênero:
Drama, Thriller
Duração:
106 min / 1 h 46 min
Produção:
Relativity Media, Kintop Pictures, Reliance Entertainment, IM Global, Demarest Films, EMJAG Productions, Film 360
Diretor:
Robert Luketic
Elenco:
Liam Hemsworth, Harrison Ford, Gary Oldman, Amber Heard, Josh Holloway, Embeth Davidtz, Richard Dreyfuss, Julian McMahon, Lucas Till, Angela Sarafyan
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