Mestre insuperável do thriller em geral e do suspense em particular, Hitchcock, em “Os Problemas de Harry”, decidiu se aventurar em um gênero mais leve, se assim podemos dizer, o da comédia de humor negro. Por isso, essa obra dele se destaca um pouco, mas não deixa de ser tão cativante e encantadora quanto as demais. E foi justamente nesse filme que estreou a notável atriz americana — e, mais tarde, escritora — Shirley MacLaine. Em uma pequena cidade do interior da Nova Inglaterra, a vida segue seu curso. Devagar e com calma. A jovem mãe tem uma infinidade de preocupações com seu filhinho — um menino inquieto e travesso. O vizinho deles, um artista, está apaixonado pela jovem. E os outros vizinhos da pequena cidade são pessoas muito simpáticas e bem-intencionadas, além de cidadãos respeitáveis que não querem nenhum tipo de problema… Mas sua vida tranquila é abalada quando o menino Arnie Rogers descobre, na floresta próxima à casa deles, o cadáver de um homem, no qual sua mãe reconhece seu ex-marido, Harry Worth… E, em torno desse cadáver, começam a se desenrolar diversos acontecimentos. O fato é que a mãe de Arnie tem motivos de peso para se considerar culpada pela morte de Harry. No entanto, logo fica claro que ela não é a única… Tanto a idosa Srta. Ivy Gravely quanto o capitão Albert Wild e o artista Sam Marlow podem se culpar pela morte dele. E enquanto todos esses cidadãos, cada um com suas próprias razões a respeito, tentam descobrir quem, afinal, matou o infeliz e azarado Harry e se é preciso notificar a polícia sobre esse fato lamentável, todos os envolvidos ora enterram o cadáver, ora o desenterram. Todas essas complicações com o coitado falecido obrigam o grupo de potenciais assassinos a se unir em torno da solução de todos os tipos de problemas relacionados a Harry, o que leva a uma série de situações curiosas. Até que, no fim das contas, tudo se resolve graças a uma peculiaridade do pequeno Arnie: ele consegue determinar quando foi ontem, o que é hoje e o que significa amanhã. E o espectador, depois de assistir a esse filme bastante divertido — apesar da presença do cadáver —, também compreenderá o que é o tempo e que benefício se pode extrair da propriedade de sua relatividade.