Parece que o fim do mundo prometido em 2012 finalmente chegou. Stephen Frears dirigiu uma comédia familiar sem qualquer subtexto político, social, criminal ou cultural. O espectador espera do filme intitulado “Fortuna de Las Vegas” / “Lay the Favorite” algum tipo de emoção dramática, disputas acirradas, confrontos intelectuais, um confronto duro entre um vigarista genial e poderosas estruturas mafiosas, em suma, algo no estilo de um romance policial-criminal-romântico como “Os 12 Amigos de Ocean”. No entanto, acabou se revelando mais um filme para adolescentes no estilo “A História da Cinderela”, só que, por algum motivo, foram convidados para os papéis principais atores adultos e bastante respeitados, como Bruce Willis, Catherine Zeta -Jones e Joshua Jackson. Rebecca Hall poderia muito bem ter dado conta de seu papel simples, cercada por atores pouco conhecidos. Interpretar uma garota sensual, espontânea e determinada do interior dos Estados Unidos, que por nada neste mundo deixaria escapar sua chance de enriquecer e, de quebra, arrumar a vida pessoal — uma tarefa simples. Infelizmente, o trailer de “Fortuna de Las Vegas” não serviu como isca publicitária, mas sim como a essência do conteúdo do filme. Depois de assisti-lo, surge a forte suspeita de que nada mais emocionante do que as risadas de Rebecca Hall, a visão de suas pernas nuas e as cenas em que ela tenta seduzir corretores de apostas bem vestidos não estejam previstas na versão completa. E é realmente assim. Mas, no geral, “Fortuna de Las Vegas 2012” não é o pior filme justamente graças ao trio de “colegas mais velhos”. É sempre um prazer ver o rosto simpático do ex-Oreshko: seja atirando em terroristas, protegendo crianças ou se envolvendo em fraudes financeiras, — a participação de Bruce Willis salva qualquer projeto. O charmoso e inocente Joshua Jackson também sabe muito bem como despertar profunda empatia na plateia. Especialmente nas cenas em que uma ex-stripper tenta, de forma descarada e sem disfarces, seduzi-lo para o vício (sim, a personagem de Rebecca Hall mudou de profissão há muito pouco tempo). O charme feminino e os olhos inteligentes de Catherine Zeta-Jones salvarão qualquer cena fracassada. Toda a atenção do público ficará voltada para seu olhar extraordinariamente profundo e suas curvas apetitosas, de modo que as falas dos personagens vão cair no vazio, passando direto pela consciência dos espectadores. Em Hollywood, Stephen Frears é considerado um autor com uma postura criativa, para dizer o mínimo, original. Mas, sinceramente, ninguém esperava do diretor britânico uma obra tão estranha.