A ação do filme transporta os espectadores para o ano de 1968, em Chicago. A convenção do Partido Democrata foi recebida com protestos de ativistas da organização “Estudantes pela Sociedade Democrática”, liderados por Tom Hayden, Abbie Hoffman, Jerry Rubin e outros. Isso levou a confrontos violentos com as autoridades locais. Como resultado, sete líderes acusados comparecem perante o governo hostil de Nixon, acusados de conspiração contra o governo. O oitavo era Bobby Seale, da organização “Panteras Negras”, que não participou do incidente. Seu processo acabou sendo arquivado, mas não antes de ele ter sido vítima de racismo e humilhações por ordem do juiz. No filme, há uma cena terrível em que Seale aparece algemado e com a boca amordaçada no tribunal. Em seguida, é detalhado o julgamento injusto presidido pelo belicoso juiz Hoffman (homônimo de Abbie Hoffman) e do preguiçoso, mas zeloso, Richard Schultz. Como os advogados dos acusados de conspiração enfrentam dificuldades e não conseguem defender seus clientes, Hayden e seus companheiros ficam desiludidos. O julgamento no filme tem motivação política. Trata-se de uma manobra do procurador-geral John Mitchell, em parte destinada a minar os alicerces do movimento contracultural, prendendo seus representantes simbólicos. Ao mesmo tempo, os “Sete de Chicago”, desafiando o sistema e sabendo que estão privados da possibilidade de se defender, enfrentam divergências em suas visões políticas, mesmo quando compreendem que precisam uns dos outros nessa luta. Ao reunir todos os réus em um único grupo, o caso demonstra a tensão e a divisão entre eles. O filme é muito atual para a América de hoje. Ele se desenrola na linha de frente da guerra cultural, que continua até hoje. Em um país onde a liberdade de expressão é tão valorizada, havia e continua havendo um preconceito em relação à dissidência. A emocionante encenação de Aaron Sorkin do julgamento de um grupo de cantores radicais do final dos anos 1960 lança luz sobre problemas que ainda preocupam os Estados Unidos.